O empate sem gols entre Cuiabá e Grêmio Novorizontino, na noite deste sábado (16), na Arena Pantanal, ampliou a pressão sobre o Dourado na Série B do Campeonato Brasileiro. Após a partida válida pela nona rodada, o presidente do clube, Cristiano Dresch, concedeu entrevista coletiva e abordou o momento da equipe, as dificuldades ofensivas, o planejamento financeiro da SAF e a busca por reforços na próxima janela de transferências.
Imagem: AssCom Dourado
Com o resultado, o Cuiabá chegou aos 10 pontos e ocupa momentaneamente a 15ª colocação da Série B. Apesar da sequência sem vitórias e das cobranças da torcida, Dresch garantiu confiança no trabalho do técnico Eduardo Barros e afirmou que o clube seguirá apostando no projeto da atual comissão técnica.
“É claro que eu tô confortável. Quem entende um pouco de futebol vê que o time é muito organizado. Existe um trabalho por trás disso. O Edu é um treinador jovem, vai construir a história dele. Existe um projeto e a gente vai continuar acreditando nele há muitos anos ainda”, declarou.
O dirigente também criticou o que classificou como “cultura resultadista” no futebol brasileiro e afirmou que o desempenho da equipe vem sendo superior aos resultados apresentados na tabela.
“Hoje faltou só a bola entrar dentro do gol. O resto teve. Então, assim, eu estou super satisfeito com o Edu”, afirmou.
Limitação financeira e mercado
Durante a entrevista, Cristiano Dresch reconheceu que o clube reduziu os investimentos para a temporada 2026 e apontou a responsabilidade financeira como principal motivo para o Cuiabá não ter reforçado o setor ofensivo da forma desejada.
“Por que a gente não reforçou à altura no ataque? Porque realmente a gente tirou o pé do acelerador na questão financeira. Eu tenho que ter responsabilidade. SAF como o Cuiabá, que tem dono, que está no meu nome no contrato social, não pode atrasar conta”, disse.
O presidente ainda comparou a realidade financeira do clube com equipes de maior investimento e revelou que a folha salarial atual gira em torno de R$ 1,5 milhão.
“Nos anos anteriores a folha devia estar na casa de R$ 3,5 milhões a R$ 4 milhões. Hoje nossa folha é de R$ 1,5 milhão. Então a gente tem que ter muita responsabilidade para não transformar toda essa história em uma história ruim”, completou.
Dresch afirmou que o clube já possui atletas monitorados no mercado e garantiu que a diretoria trabalha para reforçar principalmente o ataque a partir da abertura da próxima janela, em julho.
“A gente já tem vários jogadores listados e contato com vários atletas. Isso de falar que jogador não quer vir para Cuiabá é lenda. Todo mundo quer jogar no Cuiabá. Muitas vezes perdemos porque oferecemos 100 mil e outro clube oferece 200 ou 250 mil”, afirmou.
Segundo o dirigente, o foco será em jogadores do futebol brasileiro, atletas com pouca minutagem nas Séries A e B e destaques da Série C.
Defesa sólida e ataque em baixa
Apesar da campanha irregular, Dresch destacou o desempenho defensivo da equipe, que possui uma das melhores defesas da Série B, mas admitiu preocupação com a baixa produção ofensiva.
“Tá faltando a gente fazer gol. A gente cria chance pra caramba e não está conseguindo colocar a bola para dentro. Não adianta ter a melhor defesa. Futebol se ganha com gol”, analisou.
O presidente também citou a evolução física de alguns jogadores como parte do processo de recuperação ofensiva do elenco.
“Essa evolução ofensiva vai ser através do desenvolvimento de alguns jogadores que não vinham jogando tanto, como Mateus Santos e Yamil Asad. Precisamos buscar reforços e estamos trabalhando pesado para, a partir do dia 20 de julho, ter novidades”, explicou.
Cobrança da torcida
Cristiano Dresch reconheceu a insatisfação da torcida após mais um tropeço em casa e afirmou compreender as críticas direcionadas ao clube.
“O torcedor está certo em cobrar. Se eu fosse torcedor do Cuiabá, estaria com a mesma postura. Peço para acreditarem no que estamos fazendo”, declarou.
Mesmo diante do cenário de pressão, o presidente afirmou acreditar que o Cuiabá pode crescer na competição após a janela de transferências.
“Esse campeonato vai ser equilibrado até o final. Tenho certeza que vamos estar mais competitivos depois da janela e fortes na hora certa”, concluiu.
O Cuiabá volta a campo na próxima sexta-feira (22), às 18h (de MT), contra o Náutico, no estádio dos Aflitos, pela 10ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro.