O empate em 1 a 1 com o Fortaleza, neste domingo (9), na Arena Pantanal, pela 21ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, ampliou para cinco jogos a sequência do Cuiabá sem vencer na competição. Com 26 pontos e na 15ª colocação, o Dourado está mais próximo da zona de rebaixamento do que do G-6. Após a partida, o técnico Eduardo Barros afirmou que não pretende fazer projeções de longo prazo e destacou que o foco da equipe está no próximo compromisso, contra o Ceará.
Imagem: TV Cuiabá
Para o treinador, o momento atual apresenta algumas semelhanças com o início da competição. No primeiro turno, o Cuiabá empatou com o Sport em casa e com o Fortaleza fora de casa. Na abertura do segundo turno, repetiu os resultados, desta vez empatando com o Sport fora e com o Fortaleza na Arena Pantanal.
“É um início muito similar ao primeiro turno, de fato. A gente começa aqui o primeiro turno empatando com o Sport em casa, empatando com o Fortaleza fora, e agora inicia o segundo turno e a gente empata com o Sport fora e empata com o Fortaleza em casa”, explicou Eduardo.
O treinador afirmou que a equipe precisa concentrar os esforços na próxima partida e deixar que a pontuação acumulada ao longo das rodadas determine qual será o objetivo possível na competição.
“Nós precisamos fazer um grande jogo lá, seguir pontuando, seguir trabalhando muito e se preparando o melhor possível para cada partida e fazer as pontuações que, ao longo das rodadas, vão nos dizer aquilo que a gente briga na competição, se é pela permanência, se é pela aproximação do G6 para os playoffs. É claro que falar em título agora não faz a menor coerência. Nós estamos muito distantes do líder”, afirmou.
Técnico defende trabalho e diz que não vai ceder à pressão
Questionado sobre a sequência sem vitórias e sobre a necessidade de uma reação do Cuiabá, Eduardo Barros afirmou que o desempenho apresentado pela equipe é um dos motivos para manter a confiança no trabalho.
Segundo ele, o Dourado tem competido e apresentado mais atuações positivas do que negativas, embora isso não tenha necessariamente se convertido em pontos na tabela.
“Com tudo isso que está acontecendo, nós temos competido? Temos competido. Nós temos jogado bem mais do que jogado mal? Nós temos jogado bem mais do que jogado mal. Isso tem se refletido em pontuação? Não necessariamente”, declarou.
O treinador também afirmou que pretende manter a postura mesmo diante da pressão por resultados.
“Eu tenho dois caminhos como líder da equipe. Ou eu cedo, ou eu insisto. Nesse lado aqui vocês não vão me ver ceder nunca. Seja aqui, seja em qualquer outra camisa, em qualquer outro clube. Então eu vou insistir sempre”, afirmou.
Eduardo também rejeitou a ideia de que a posição na tabela seja determinante para sua permanência no cargo e disse considerar a pressão uma característica permanente do futebol.
“Eu não me sinto pressionado por esses elementos. Porque trabalhar no futebol é uma pressão diária. Então, se você está em oitavo colocado, haveria uma pressão para entrar no G6. Se nós estivéssemos no G6, existiria uma pressão para se manter no G6. Se nós estivéssemos dentre os dois líderes, nós estaríamos nos pressionando para sustentar essa posição. Se nós estivéssemos na zona de rebaixamento, como nós já estivemos em outras oportunidades nesse campeonato, nós estaríamos pressionados para sairmos de lá o quanto antes”, explicou.
Para o treinador, a cobrança não deve interferir no planejamento da equipe.
“A pressão no futebol é constante e é uma pressão que não me incomoda e nem tira o foco do que é para ser feito. O trabalho precisa ser realizado independentemente da pressão que existe e da colocação que a sua equipe está na competição. Eu acredito no trabalho, eu acredito na força da coletividade e no poder da consistência”, completou.
Eduardo cita projeto sustentável do Cuiabá
Na coletiva, o treinador também defendeu o modelo de trabalho adotado pelo clube e comparou a situação do Cuiabá com outros projetos do futebol brasileiro.
Segundo Eduardo, o Dourado possui uma política de utilização de jovens jogadores e de controle financeiro que limita a capacidade de investimento em relação a outros clubes da Série B.
“Projeto de futebol sustentável não gasta mais do que arrecada”, afirmou.
O técnico citou ainda os números de utilização de jogadores jovens como parte da estratégia do clube.
“Hoje você sabe que nós somos a terceira equipe em minutos jogados de utilização de jovens jogadores abaixo de sub-23? E que nós somos a segunda equipe em minutos utilizados em jogadores abaixo de sub-20?”, questionou.
Eduardo também afirmou que a troca recorrente de treinadores não necessariamente produz resultados e utilizou a Seleção Brasileira como exemplo para defender a continuidade de projetos.
“Se fosse produtivo para o futebol brasileiro sair trocando treinadores, isso já está provado que não é. Nós podemos citar como exemplo a Seleção Brasileira, que teve, em um único ciclo, quatro treinadores, e o efeito nós vimos qual é”, disse.
Ataque segue entre os piores da Série B
Um dos principais problemas do Cuiabá na competição é a baixa produção ofensiva. Contra o Fortaleza, mesmo atuando com um jogador a mais durante boa parte do segundo tempo, o Dourado não conseguiu encontrar o segundo gol.
Eduardo reconheceu que a dificuldade para marcar é uma questão recorrente, mas evitou responsabilizar exclusivamente os atacantes.
“É claro que é uma questão crônica da equipe, a dificuldade de fazer gols, mas isso não é uma questão exclusiva dos atacantes. O time precisa, como um todo, produzir para deixar os atacantes em mais situações de poderem concluir as jogadas em gol”, afirmou.
O treinador também explicou que a estratégia defensiva do Fortaleza dificultou a criação de oportunidades.
“Defendendo contra nove jogadores, com um time bem organizado e bem treinado em bloco baixo, vai ser difícil entrar. Você vai ganhar o jogo numa bola parada, você vai ganhar o jogo a partir de um cruzamento, de um chute de média distância. Não é fácil furar bloco baixo”, analisou.
Segundo Eduardo, o Cuiabá conseguiu levar bolas para a área, mas pecou na precisão dos cruzamentos.
“A bola atravessou muitas vezes a área, não conseguimos ter tanta precisão nos cruzamentos. Os cruzamentos deveriam ter conseguido atingir mais o meio de área. Muitos pararam no primeiro pau e aí o Fortaleza acabou conseguindo sustentar”, explicou.
Pênalti do Fortaleza é questionado
Outro ponto central da coletiva foi o pênalti marcado a favor do Fortaleza, que resultou no empate. Eduardo Barros classificou o lance como “extremamente questionável” e afirmou que considera a decisão mais um erro de arbitragem contra o Cuiabá.
“É um lance totalmente interpretativo. Ninguém no campo percebeu um possível pênalti. Houve um estranhamento de uma parada. Eu perguntei para os analistas que estavam trabalhando de cima, perguntei para o banco, ninguém sabia até chegar a informação de um eventual toque de mão”, relatou.
O treinador argumentou que a bola teria tocado primeiro no corpo do jogador antes de atingir o braço.
“Um toque de mão que não altera em nada o curso da jogada, que desvia no corpo do nosso jogador e do adversário antes de bater na mão, num movimento de salto do nosso jogador. E nenhum jogador, ao saltar, nenhum no universo, vai conseguir saltar sem a utilização dos braços”, declarou.
Na avaliação de Eduardo, a decisão teve impacto direto na campanha do clube.
“Não é o primeiro erro de arbitragem contra a gente e é um erro que nos custou hoje dois pontos importantes na nossa tabela de classificação”, afirmou.
Vaias e reação da torcida
Após o empate, o Cuiabá foi vaiado pelos torcedores presentes na Arena Pantanal. Eduardo considerou a reação compreensível diante da situação da equipe na tabela.
“É compreensível, porque o torcedor quer olhar a tabela de classificação, quer ver hoje talvez nem uma apresentação tão boa ou tão convincente, mas que o resultado seja a favorável. Então essa vaia é parte do cenário em que hoje o grupo se encontra”, afirmou.
O treinador também avaliou que a pontuação atual poderia ser superior considerando o desempenho apresentado pelo time em diferentes partidas.
“A expectativa do torcedor era que hoje o Cuiabá tivesse 33, 34 pontos, talvez 32, tivesse uma pontuação que seria até mais realista com o que a gente performou ao longo de toda a Série B. E a gente foi deixando alguns pontos pelo caminho”, disse.
Mercado de transferências
Com a janela de transferências ainda aberta, Eduardo confirmou que o Cuiabá monitora o mercado em busca de reforços. O treinador, porém, destacou as limitações financeiras do clube diante da concorrência.
“É claro que a janela ainda está aberta, a gente está muito atento ao mercado. Não é fácil, nesse momento, contratar jogador para a nossa realidade financeira”, explicou.
Segundo ele, atletas que estão na Série A e possuem pouca minutagem são disputados por clubes com maior poder econômico, enquanto jogadores que atuam no exterior podem precisar de um período de adaptação.
“Você perde na concorrência tanto para a própria Série A ou na Série B para equipes que estão com poder econômico superior ao do Cuiabá nesta temporada. Então o clube precisa ser muito criativo”, afirmou.
Eduardo também destacou que a comissão técnica trabalha simultaneamente para melhorar o elenco atual.
“É um exercício de criatividade, de trabalho permanente para a gente tanto melhorar a equipe e com os jogadores que temos aqui, como para a gente estar atento a eventuais oportunidades no mercado”, completou.
Próximo desafio será contra o Ceará
Com 26 pontos, o Cuiabá ocupa a 15ª posição da Série B e chegou ao 11º empate em 21 rodadas. A equipe tem seis pontos de vantagem para a zona de rebaixamento e está sete pontos atrás do G-6.
O próximo compromisso será contra o Ceará, no sábado (15), às 17h30 (de Mato Grosso), no estádio Presidente Vargas.
Para Eduardo Barros, o confronto representa o próximo passo de uma campanha que, neste momento, ainda não permite projeções mais amplas.
“O nosso próximo horizonte é o Ceará, o nosso terceiro adversário. Nós precisamos fazer um grande jogo lá, seguir pontuando, seguir trabalhando muito e nos preparando o melhor possível para cada partida”, afirmou.