Na noite desta quarta-feira (14), após a primeira vitória do Cuiabá na temporada 1 a 0 sobre o Operário, o técnico Eduardo Barros concedeu entrevista coletiva e abordou temas que vão além do resultado. O treinador falou sobre a cultura de demissões no futebol brasileiro, o processo de reconstrução do elenco, a influência emocional do pênalti que decidiu a partida e o planejamento para a sequência do Campeonato Estadual.
Imagem: AssCom Dourado
Pressão por resultados e cenário do futebol brasileiro
Questionado sobre a falta de tempo para treinadores no país, Barros destacou que a rotatividade no comando técnico é uma realidade nacional e não restrita a um campeonato ou região específica.
“Todos sabem que quanto mais tempo de trabalho, desde que seja um bom trabalho, maiores as chances de se colher bons frutos. Mas existem muitas influências externas e até internas que acabam encurtando esse período”, afirmou.
Mesmo reconhecendo o cenário delicado de reconstrução com um elenco jovem, o técnico ressaltou estar preparado para lidar com a pressão e com a necessidade de respostas rápidas dentro de campo. “Eu tenho um olhar macro, mas o meu foco é totalmente voltado para o curtíssimo prazo, que é o Campeonato Estadual e o próximo adversário”, completou.
Pênalti decisivo e elogio à assistente
Barros classificou o lance do pênalti como determinante para o desfecho da partida e elogiou a atuação da assistente Fernanda Kruger, responsável pela marcação.
“Foi um lance em que a assistente teve muita coragem, personalidade e competência para não se omitir. Ela estava na linha do lance e observou que a bola bateu na mão de forma faltosa”, explicou.
O treinador reconheceu que a decisão gerou forte reação do Operário e elevou o nível emocional do jogo, algo que, segundo ele, é comum em partidas de Campeonato Estadual.
Crítica à condução do árbitro principal
Apesar de defender a marcação do pênalti, Eduardo Barros fez ressalvas à condução do árbitro Danilo Alves de Campos após o lance. Na avaliação do técnico, faltou maior firmeza para controlar o jogo.
“Ele poderia ter sido mais incisivo para que o jogo não escapasse pelas mãos. Após o pênalti, eu senti uma inversão de critérios, como se houvesse uma tentativa de compensação”, analisou.
Ainda assim, Barros ressaltou que a arbitragem vinha sendo positiva até o episódio e que a pressão adversária acabou influenciando o andamento da partida.
Ajustes táticos e evolução da equipe
Sobre o desempenho do Cuiabá, o treinador explicou que a equipe atuou de maneira diferente do habitual por conta das características do adversário. Segundo ele, a estratégia funcionou, mas o time ainda está longe do ideal.
Barros destacou oportunidades criadas ao longo do jogo, como as finalizações de Nino, além de jogadas aéreas que levaram perigo, incluindo o lance que originou o pênalti.
“A expectativa é aumentar a produtividade ofensiva, ampliar o repertório e manter a capacidade de adaptação jogo a jogo”, disse.
Liderança de Calebe e situação dos reforços
Um dos pontos mais enfatizados na coletiva foi o papel de liderança de Calebe, apontado como peça-chave dentro e fora de campo. Barros destacou a postura do volante, inclusive na confusão envolvendo jogadores do Operário e a arbitragem.
“Ele está cada vez mais assumindo essa responsabilidade de líder, com grande poder de influência no grupo”, afirmou.
O treinador também explicou a ausência ou utilização gradual dos reforços, citando casos de recuperação física, retorno de lesão e readaptação ao ritmo de jogo. Segundo ele, o processo está sendo conduzido com cautela para evitar novos problemas físicos.
Foco no próximo desafio
Por fim, Eduardo Barros reforçou que, apesar do contexto de reconstrução e da ansiedade natural do torcedor por resultados imediatos, o trabalho segue com planejamento e atenção aos detalhes.
“A partir de amanhã começamos a estudar o próximo adversário, o Mixto. Cada jogo vai exigir concentração máxima e correções rápidas, porque o campeonato é curto e muito competitivo”, concluiu.
A próxima partida do Cuiabá acontece neste domingo (18), diante do rival Mixto, no Dutrinha.