O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, concedeu entrevista coletiva no último final de semana e abordou de forma direta o atual momento vivido pelo clube. Em meio às cobranças por resultados e desempenho, o dirigente reforçou que o planejamento passa por um processo de reconstrução e utilizou uma metáfora para justificar a defesa do técnico Eduardo Barros.
Imagem: AssCom Dourado
“Não vou te cobrar um camarão com alho e óleo se eu estou te dando um Pacupeva. Não dá para cobrar um camarão”, afirmou o presidente, ao destacar que não é possível exigir alto rendimento de um elenco jovem e em formação.
Durante a coletiva, Dresch explicou que o clube atravessa um período de transição após anos de estabilidade e auge esportivo, especialmente entre 2020 e 2023. Segundo ele, o cenário atual exige compreensão do contexto financeiro e competitivo do futebol mato-grossense.
“O que nós estamos fazendo hoje é uma reestruturação da equipe. Saíram muitos jogadores que já estavam com o prazo de validade vencido no Cuiabá. Estamos montando praticamente uma equipe sub-20 para disputar o Campeonato Mato-grossense, algo que não seria possível fazer na Série B”, declarou.
O presidente também destacou as limitações financeiras do Estadual, citando os baixos valores de direitos de transmissão, e afirmou que isso impacta diretamente no planejamento esportivo. Para Dresch, o Campeonato Mato-grossense se torna o ambiente adequado para testar atletas da base e iniciar a reconstrução do elenco profissional.
Ao comentar o desempenho da equipe dentro de campo, o dirigente ressaltou o volume ofensivo apresentado nos últimos jogos, mesmo diante de resultados negativos. Ele citou a derrota para o Sport Sinop, quando o Cuiabá finalizou 35 vezes, e o empate diante da Chapada dos Guimarães, atribuindo os gols sofridos a falhas individuais.
“Tivemos um domínio grande da partida, criamos muitas oportunidades. Futebol não se faz com conversa ou promessa, se faz com trabalho e dentro da realidade financeira que você tem”, afirmou.
Cristiano Dresch voltou a defender o trabalho do técnico Eduardo Barros, negando que a equipe não tenha padrão de jogo e garantindo respaldo ao treinador durante o processo de reformulação. Para ele, cobrar resultados imediatos sem oferecer um elenco mais experiente seria incoerente.
“Não tem como cobrar o treinador com o material humano que ele tem hoje. Taticamente, o Cuiabá joga muito bem, tem volume, finaliza no alvo. Isso não é simples”, destacou.
O presidente também comentou sobre a utilização de atletas oriundos da base e da Copinha, afirmando que os jovens estão sendo observados, mas que o clube respeita o tempo de maturação de cada jogador. Segundo ele, novas contratações estão encaminhadas e alguns atletas ainda não estrearam ou sequer foram anunciados oficialmente.
Dresch reconheceu ainda que o Cuiabá enfrenta maior grau de dificuldade no Estadual, já que os adversários encaram os jogos contra o clube “como se fossem uma final de Copa do Mundo”. Mesmo assim, afirmou sair satisfeito com a atuação no empate contra o Chapada e confiante na evolução da equipe ao longo da temporada.
“O Cuiabá não foi construído do dia para a noite e não vai ser reconstruído assim. Tivemos nosso auge, passamos por uma queda e agora estamos reformando o clube. Isso exige paciência, coragem e entendimento do processo”, concluiu.
Além do aspecto esportivo, o presidente reiterou que o clube não pretende fechar acordo com casas de apostas como patrocinador master, afirmando que a decisão segue uma posição ética da diretoria.
A coletiva deixou clara a linha adotada pelo Cuiabá: um projeto de médio prazo, focado na valorização da base e na reconstrução do elenco, sem a imposição de títulos imediatos no Campeonato Mato-grossense, mas com reforços pontuais para garantir competitividade ao longo da temporada.