O técnico Guto Ferreira assumiu o Cuiabá em fevereiro prometendo reestruturação, segurança e retorno à Série A. Cinco meses depois, o que se vê é um Dourado apático, previsível e cada vez mais distante dos objetivos. Pior: após três derrotas consecutivas, perda do estadual para o Primavera e uma resposta atravessada sobre seu cargo, a sensação é de que o vestiário está desabando e ninguém tem coragem de assumir.
Imagem: AssCom Dourado
Derrota para o Botafogo SP e escalação covarde
Na noite da última segunda-feira (30), o Cuiabá foi derrotado em casa, por 1 a 0, pelo Botafogo-SP, equipe que até então figurava na zona de rebaixamento da Série B. Em vez de ousar, Guto Ferreira optou por uma escalação medrosa: três volantes Denilson, Lucas Mineiro e Calebe, abrindo mão de criação no meio-campo e aceitando jogar no erro do adversário. Não funcionou.
O Botafogo-SP aguentou a pressão morna e, em um contra-ataque simples, matou o jogo com Carrillo, no segundo tempo. Antes disso, Dérik Lacerda ainda perdeu um pênalti.
Com o resultado, o Botafogo deixou o Z4. O Cuiabá, por outro lado, afundou: 7ª posição, fora do G-4, e com cada vez menos argumentos para justificar o investimento em um treinador com discurso já esgotado.
Três jogos, seis gols sofridos, nenhum marcado
A derrota para o Botafogo-SP foi apenas mais um capítulo da turbulência que tomou conta do Cuiabá. A equipe engatou uma sequência indigesta de três derrotas consecutivas, sendo duas em confrontos diretos pelo G‑4, sem conseguir balançar as redes em nenhum dos jogos:
- 3 a 0 para o Novorizontino: confronto direto, atuação passiva e defesa desmontada.
- 2 a 0 para o Coritiba: apagão coletivo e superioridade total do adversário.
- 1 a 0 para o Botafogo-SP: domínio inócuo e falha tática, mesmo com posse de bola.
No total, são seis gols sofridos e nenhum marcado. Um desastre técnico e emocional que escancara a falta de comando, a desorganização do sistema defensivo e a ausência de ideias no ataque. O Cuiabá de Guto Ferreira parece um time sem alma e sem reação justamente o oposto do que se esperava para quem queria subir de volta à Série A.
Guto perde a linha ao ser questionado
Como se a pressão em campo não bastasse, Guto ainda criou polêmica fora dele. Questionado pela página Orgulho Dourado sobre a contratação do auxiliar técnico Eduardo Barros que chega ao Cuiabá com status de “fixo” na comissão, Guto reagiu com irritação:
“Essa pergunta não é pra mim.”- afirmou o treinador
“Fui contratado, estou fazendo meu trabalho. A contratação dele contou com minha participação. Se não vão confundir as coisas… vão achar que Eduardo vem tirar o lugar do Guto. Nada a ver.”- completa Guto Ferreira
Cuiabá sem identidade, sem alma e sem comando
Desde a vergonhosa perda do título estadual para o Primavera, nos pênaltis, o Cuiabá virou um time desorganizado, sem padrão de jogo e emocionalmente vulnerável. A proposta de controle virou posse inútil. A defesa virou peneira. O ataque, um deserto de ideias.
E agora, nem Guto sustenta o discurso.
A aposta em três volantes contra um time do Z4 foi a gota d’água: covarde, burocrática, improdutiva. Um plano tático que parece ter sido desenhado no papel, mas desconectado da realidade em campo.
Queda inevitável?
Com mais um jogo fora de casa, contra o Remo no próximo sábado dia 05 de Julho, a pressão aumenta. A diretoria não se manifesta, a torcida já cobra e a comissão técnica parece dividida. O Cuiabá, que começou o ano com sonho de retorno à Série A, agora luta para não perder completamente o rumo.