Cuiabá entra em campo na noite desta terça-feira (31) diante do Fortaleza carregando mais do que a pressão de um jogo fora de casa. Carrega a necessidade urgente de pontuar e, principalmente, de entender o seu tamanho dentro da partida.
Logo mais, na minha leitura, existe um único caminho realista para o Cuiabá sair com algo positivo: jogar de forma reativa. E aqui é preciso deixar claro, isso não tem absolutamente nada a ver com falta de coragem. Pelo contrário. Exige leitura de jogo, disciplina tática e maturidade competitiva.
O Fortaleza chega como favorito. Não só pelo momento, mas por contexto. É um time que vem de título estadual, tem um modelo consolidado e conta com o peso de jogar na Arena Castelão, que deve pulsar como um verdadeiro caldeirão. Ignorar isso seria ingenuidade e ingenuidade, na Série B, custa caro.
Ao Cuiabá, portanto, não cabe romantizar o jogo.
Cabe sobreviver a ele.
Isso significa baixar linhas, fechar espaços, diminuir ritmo, travar o adversário e jogar “por uma bola”. É o tipo de estratégia que muita gente chama, de forma rasa, de “covarde”. Mas no futebol real não no de debate de estúdio, isso tem outro nome: inteligência competitiva.
O Cuiabá já soube fazer isso em outros momentos da sua história, inclusive em contextos mais difíceis, como na elite do futebol brasileiro. Saber sofrer faz parte do processo de quem quer subir.
E aqui entra um ponto incômodo, mas necessário: existe uma obsessão estética no futebol brasileiro que não ganha jogo. Posse de bola, saída curta, construção bonita… tudo isso é válido quando se tem elenco e contexto. Hoje, o Cuiabá não tem margem para esse luxo fora de casa contra um adversário superior.
É simples: primeiro, não tomar gol.
Depois, aproveitar a oportunidade que aparecer.
Se ela vier aos 15 do segundo tempo, ótimo. Se vier aos 40, melhor ainda. O que não pode é se expor, tentar “igualar” o jogo na marra e sair de campo com mais uma derrota que, lá na frente, pesa na tabela e na confiança.
Entre jogar bonito e pontuar, a escolha deveria ser óbvia.
Se amanhã os debates esportivos disserem que o Cuiabá foi feio, retrancado, pouco propositivo, mas voltou com um ponto ou até com a vitória, missão cumprida. Porque, neste momento da temporada, estilo não sobe ninguém.
Resultado, sim.
E o Cuiabá precisa decidir, a partir de hoje, se quer ser elogiado… ou quer subir.